Raynair-Portugal | Sindicato da Tripulação de Cabine anuncia uma nova greve para o Dia 27 de Setembro e repudia perseguição

Da Redacção do Blogue Escala de Combate

Contra “coação e perseguição” da Ryanair o SNPVAC constrói nova greve

O Sindicato entregou um novo pré-aviso de greve de Tripulantes da Ryanair, agora para o Dia 27 de Setembro, no qual argumenta não haver “qualquer fundamento para a fixação de quaisquer serviços mínimos”. Na última paralisação, de 20 a 25 de Agosto, o governo decretou “serviços mínimos” em voos não só para Açores e Madeira, como para as cidades de Berlim, Londres e Paris, numa decisão fortemente criticada por toda a categoria deste sector.

O Pessoal de Voo apresentou abrangente anúncio de greve que abarca todos os Tripulantes de Cabine que trabalham para a Ryanair, incluindo os contratados através de agências e/ou empresas, nomeadamente, como a Crewlink, a DAC e a Workforce. A paralisação visa todos os voos da Ryanair em um rol alargado de serviços prestados também em terra por estes profissionais, agendada entre as 00h00 e 23h59 do próximo Dia 27 de Setembro.

Após o flagrante incumprimento da lei pela empresa, bem como a ineficácia do governo em enquadrar a companhia aérea e garantir direitos laborais portugueses inclusivamente durante a própria greve — sendo um deles a substituição de trabalhadores grevistas –, os trabalhadores decidiram por reiterar seu protesto com a construção duma nova greve.

Ao lembrar que a aviação civil comercial trata-se de um sector aberto à concorrência, o SNPVAC salienta que o conceito de “necessidades impreteríveis” não é coextensível a voos para o estrangeiro, sendo certo, isto sim, que os voos de ligação entre as regiões autónomas como Açores e Madeira, única necessidade vital realmente existente no sector, são assegurados através de outras operadoras, nomeadamente, como a TAP, a Azores Airlines e a EasyJet.

#RyanairMustChange

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Greve da Ryanair | Portal Oficial República Portuguesa

2019-08-23 às 18h18

O Ministério das Infraestruturas e da Habitação tem estado por estes dias a acompanhar com especial atenção e preocupação a greve dos tripulantes de cabine da Ryanair.
Desde o início da greve, a Autoridade para as Condições de Trabalho tem estado a investigar as suspeitas de irregularidades no cumprimento das normas legais da greve por parte da companhia de aviação. Tal como a ACT já esclareceu publicamente, serão desencadeados todos os procedimentos que julgar necessários, nomeadamente participações crime ao Ministério Público a que haja lugar.
A Ryanair tem realizado investimentos importantes em Portugal, mas isso não dispensa a companhia aérea, nem nenhuma outra empresa que opere no território nacional, de ter de cumprir o enquadramento legal da República portuguesa, em particular das leis que protegem os direitos fundamentais dos trabalhadores.
Tendo em conta o reiterado e anunciado compromisso da Ryanair com o cumprimento da legislação portuguesa, iremos em conjunto com o sindicato que representa os trabalhadores e a companhia aérea, trabalhar para que seja possível, no futuro, garantir a ambas as partes o integral cumprimento da lei.

Fonte: https://www.portugal.gov.pt/pt/gc21/comunicacao/comunicado?i=greve-da-ryanair

Ryanair em Greve | Qual é o maior segredo comercial do Senhor Michael O’Leary? ― Salários Base de Zero Euros

Da Redacção do Blogue Escala de Combate

A Cobiça de O’Leary terá limites?

Quem é Michae O’Leary? A fama precede o nome. Michael Kevin O’Leary, nascido em 20 de março de 1961, é um empresário irlandês e diretor executivo da companhia aérea Ryanair. Ele é um dos empresários mais ricos da Irlanda. Foi sob a administração de O’Leary como CEO da empresa que a Ryanair veio a desenvolver o modelo de negócios assim-chamado “low-cost” e transformou-se em uma das maiores e mais lucrativas companhias aéreas de toda a Europa. Uma das razões é bastante simples de explicar ainda que difícil de engolir.

Além da precarização do trabalho e flexibilização laboral, o gestor irlandês introduziu modalidades como a de Ordenados de Zero euros e Contratos a Zero horas, em que o aeronauta empregado está à disposição sob subcontratação temporária e só recebe quando acionado e levanta voo. As suas atividades são escalonadas já por meio de mensagens de texto, via aplicativos digitais e comunicação instantânea, hora a hora. Trata-se daquilo que psicólogos / sociólogos / historiadores do trabalho criticaram como a “Uberização” do labor.

A maior companhia aérea da Europa diz que superou seus rivais com suas baixas tarifas. Mas seu verdadeiro segredo comercial está em eliminar os direitos dos trabalhadores e tentar esmagar os sindicatos do sector. O método de contratação preferido para a tripulação de cabine é através de intermediárias de força de trabalho ou agências terceirizadas, orientadas para o assim-chamado “emprego atípico”, definido enquanto trabalho a termo, trabalho de agência temporária e/ou trabalho “autônomo”, i.e., a precariedade legal disseminada no nada maravilhoso novo mundo do trabalho do Séc. XXI hoje em dia.

Na Ryanair trabalha-se à jorna como no Séc. XIX. Se são sorteados para trabalhar ganham, se não, recebem Zero. Mas para ir trabalhar é obrigatório estar disponível. Por esta disponibilidade para a empresa, 24h por dia, recebe-se 0 €. Além de estarem alijados das operações diárias e dos planos futuros da companhia os trabalhadores estão efetivamente à mercê da gestão quando se trata de colocações de base, reservas, férias etc. Um ordenado de Zero euros significa, na prática, ausência de descontos para a reforma, dificuldades para financiar uma casa, falta de autonomia para o planejamento familiar além de uma segurança precária em casos de doenças, acidentes etc. Fortuna multimilionária de uns e expropriação ao futuro dos outros.

Jackpot, não?, mas já só nos contos de fada com duendes verdes.

O diabo mora no detalhe. Este é o verdadeiro pote de ouro escondido por detrás do arco íris da velha lenda do “novo empreendedorismo”.

#RyanairMustChange

No o ar nosso blogue «Escala de Combate», com novo domínio: pessoaldevoo.wordpress.com

Tripulantes da Ryanair em Portugal dão início a período de greve por cinco dias em prol da mera aplicação de atual legislação laboral portuguesa. Afinal, quem deve mudar? Portugal ou a Ryanair?

Assista o video com reivindicações laborais e decida por si mesmo:

Video: https://www.facebook.com/2011668999087138/videos/729367690833593

21-25.Ago.2019 | Período de Greve de Aeronautas Ryanair-Portugal

Em fase de testes durante os últimos dias, está no ar o nosso blogue Escala de Combate. Trata-se de um novo instrumento de comunicação do SNPVAC – o Sindicato Nacional do Pessoal de Voo que, junto a seu portal (snpvac.pt), deve trazer mais agilidade e um maior dinamismo às diversas iniciativas de luta por condições laborais dignas, justiça social e pelo devido reconhecimento a todos Tripulantes de Cabine. Este é o novo Blogue do Sindicato do Pessoal de Voo em Portugal. Sejam já muito bem-vindos, todos, a bordo dele.

Esperamos construir cá um ponto de apoio para os tripulantes, tornar públicas as suas condições de trabalho, as suas diferentes lutas, e os seus sonhos, também, individuais e colectivos. O blogue oferece já variadas formas para visualização – em telemóveis, em laptops e nos diversos ecrãs. O ritmo intenso de trabalho e a própria organização do dia a dia do Pessoal de Voo – para já, coisas que só sabe quem faz – exigem que as diferentes campanhas públicas, os diversos meios de comunicação e as formas de organização colectiva do grupo adaptem-se à Escala, daí o substantivo; e a seu novo adjetivo, de Combate. A Nova Escala, contudo, quem projecta, agora, são os trabalhadores do sector aeronáutico – ninguém mais – o que é um prazer e uma honra.

As secções incluem a Layover, News, Multimedia, Internacional, Agenda e a Backgalley/Bastidores. Durante estes dias iremos colocar de pé uma série de novos formatos, e novas linguagens, próprios para este fim. Começamos agora com o lançamento de uma Campanha Pública, #RyanairMustChange, em pleno período de greve. Greve construída, pela base, a partir do Sindicato do Pessoal de Voo, em Portugal. As peças incluem Video, Cartazes, Logo e Podcasts de realização nossa, para ampla divulgação, além do que já são os tradicionais Press Releases, voltados à imprensa, e comunicados, para os tripulantes. Apenas teve início a mudança. É preciso escutar mais; e dizer melhor.

O blogue, bem como o portal SNPVAC, procura estimular a mediação com os tripulantes e com o público em geral, através de conexão com as redes sociais – para aprofundar assim a visibilidade na Página de FaceBook, estabelecer um novo Canal YouTube e criar uma nova Conta de Twitter. Com mais iniciativa acreditamos que nossa interface com os media pode desenvolver-se e até a comunicação interna, com o Pessoal de Voo, tende a melhorar. É uma aposta estratégica que vale a pena abraçar. Mas que só faz sentido qual projeto colectivo. Não é possível embarcar a sós. Há muito o que se fazer em conjunto.

Vamos dar início, aqui, desde o blogue – mas como uma tarefa multifacetada, e de longo-curso, além da atual campanha / greve #RyanairMustChange –, ao dispositivo de ampla divulgação do Inquérito Nacional das Condições de Vida e Trabalho | Pessoal de Voo em Portugal, o qual, juntamente com a Campanha Pública sobre Desgaste e Penosidade, procuram dar a conhecer o que faz e o que é um Tripulante. Como bem sabe todo o Pessoal de Voo, a cada missão, um tempo diferente. E um sindicalismo democrático e combativo – independente e autônomo – faz-se, sobretudo, em contratempo ao compasso do estado, empresas e partidos da ordem.

Podem contar connosco, desde já, bem hajam todos Aeronautas. Afinal de contas –, é preciso cuidar para que todos os cuidadores tenham segurança, saúde e bem-estar social. Fazemos parte de um sector estratégico do mundo do trabalho em Portugal com forte acento internacionalista. Não à toa somos membros fundadores da EurECCA – a European Cabin Crew Association. A tarefa da greve, a batalha da campanha e a luta por reconhecimento só valem a pena se for para assumi-las juntos. Mais que um briefing, chamado ou checklist – representa já um programa de ação para o trabalho digno. E – como é claro – por uma vida melhor. Para nós e para toda a gente.

Manifesto Sindical: “Pela Liberdade e pelo Direito à Greve”

Publicado originalmente na edição do Expresso de 17-08-2019

No preâmbulo da Constituição da República Portuguesa, onde é exaltado que no dia 25 de Abril de 1974 a resistência do povo português representou uma viragem histórica na sociedade portuguesa.

É ainda aí referido que só foi possível elaborar uma Constituição que correspondesse às aspirações do país devido à Revolução que restituiu aos Portugueses os direitos e liberdades fundamentais

A finalizar, menciona ainda o seguinte: “A Assembleia Constituinte afirma a decisão do povo português de defender a independência nacional, de garantir os direitos fundamentais dos cidadãos, de estabelecer os princípios basilares da democracia, de assegurar o primado do Estado de Direito democrático e de abrir caminho para uma sociedade socialista, no respeito da vontade do povo português, tendo em vista a construção de um país mais livre, mais justo e mais fraterno”.

Desde o passado dia 12 de Agosto que temos vindo a observar a luta dos motoristas contra o poder da ANTRAM, a qual tem conseguido condicionar as decisões do Governo.

Por tudo o que se tem passado, não aceitamos que o Governo de Portugal restrinja a liberdade dos Trabalhadores quando estes lutam por melhores condições de trabalho, tal como não iremos ficar impávidos e serenos perante a tentativa do Executivo de restringir o direito à greve, protegendo quem tem mais apoios, inclusive estatais, (Entidades patronais) em detrimento daqueles que lutam dia a dia para o seu sustento e da sua família (Trabalhadores).

Acresce que estamos a falar de trabalhadores que ergueram um novo sindicato em 2018, sem experiência sindical ou politica, e que apenas exigem melhores condições de trabalho, para que sejam cumpridos os desígnios da Assembleia Constituinte que escreveu a Constituição da República Portuguesa, nomeadamente, entre outros direitos, que todos os portugueses sejam tratados por igual, que a lei também seja aplicada às entidades privadas, que o direito à resistência seja protegido quando são atacados os seus próprios direitos, que seja garantido o direito à inviolabilidade da integridade moral, física e do domicilio, e à liberdade e segurança individuais.

Por considerarmos que todos estes direitos foram colocados em causa por um Governo que no presente caso demonstrou várias vezes querer impor à força a manutenção dos lucros exorbitantes das entidades privadas, nomeadamente e em particular da empresa de transportes Paulo Duarte, da Galp e da Vinci, em detrimento de melhores condições de trabalho, estamos dispostos a lutar contra todas as forças que recusem os princípios basilares da nossa Constituição acima mencionados.

E tal como nela está previsto, nenhum trabalhador pode aceitar continuar a receber salários que não garantam uma existência condigna e o trabalho tem que ser prestado em condições socialmente dignificantes, por forma a facultar a realização pessoal e a permitir a conciliação da actividade profissional com a vida familiar.

Com certeza a grande maioria dos portugueses se reveem nestas palavras, pois actualmente vivemos numa sociedade onde ganhar o salário mínimo é o normal e caso alguém se revolte contra isso recebe uma resposta do tipo “se não queres, há mais quem queira”, onde não conseguimos ter tempo suficiente e de qualidade para os nossos filhos, para que estes possam receber os nossos valores e princípios, onde quem luta por melhores condições de trabalho é impedido de o fazer por governos totalitários ou por outros cidadãos que, por estarem tão oprimidos, têm medo de lutar pelos seus direitos e acabam por prejudicar quem tem a coragem de o fazer.

Por tudo o acima exposto, queremos  continuar a defender a garantia de liberdade dos trabalhadores e lutaremos contra quem queira restringir o direito à greve e consequentemente o direito de quem quer lutar por melhores condições de trabalho, sociais e familiares.

Vamos continuar a combater as desigualdades sociais que observamos a crescer dia após dia.

Portugal merece melhor e os portugueses não podem continuar adormecidos.

Será caso para dizer, citando Eduardo Galeano “na luta do bem contra o mal, é sempre o povo que morre”.

António Mariano – Dirigente da SEAL; Aurora Lima – Dirigente do S.T.O.P.; Bruno Fialho – Dirigente do SNPVAC; Carlos Ordaz – Elemento da CT SPdH/Groundforce; Egídio Fernandes – Dirigente do SIEAP; João Reis – Dirigente do Sindicato dos Trabalhadores do Sector Automóvel – STASA; Manuel Afonso – Dirigente do Sindicato dos Trabalhadores de Call-center; João Pascoal – Movimento Mudar Bancários