Ryanair em Greve | Qual é o maior segredo comercial do Senhor Michael O’Leary? ― Salários Base de Zero Euros

Da Redacção do Blogue Escala de Combate

A Cobiça de O’Leary terá limites?

Quem é Michae O’Leary? A fama precede o nome. Michael Kevin O’Leary, nascido em 20 de março de 1961, é um empresário irlandês e diretor executivo da companhia aérea Ryanair. Ele é um dos empresários mais ricos da Irlanda. Foi sob a administração de O’Leary como CEO da empresa que a Ryanair veio a desenvolver o modelo de negócios assim-chamado “low-cost” e transformou-se em uma das maiores e mais lucrativas companhias aéreas de toda a Europa. Uma das razões é bastante simples de explicar ainda que difícil de engolir.

Além da precarização do trabalho e flexibilização laboral, o gestor irlandês introduziu modalidades como a de Ordenados de Zero euros e Contratos a Zero horas, em que o aeronauta empregado está à disposição sob subcontratação temporária e só recebe quando acionado e levanta voo. As suas atividades são escalonadas já por meio de mensagens de texto, via aplicativos digitais e comunicação instantânea, hora a hora. Trata-se daquilo que psicólogos / sociólogos / historiadores do trabalho criticaram como a “Uberização” do labor.

A maior companhia aérea da Europa diz que superou seus rivais com suas baixas tarifas. Mas seu verdadeiro segredo comercial está em eliminar os direitos dos trabalhadores e tentar esmagar os sindicatos do sector. O método de contratação preferido para a tripulação de cabine é através de intermediárias de força de trabalho ou agências terceirizadas, orientadas para o assim-chamado “emprego atípico”, definido enquanto trabalho a termo, trabalho de agência temporária e/ou trabalho “autônomo”, i.e., a precariedade legal disseminada no nada maravilhoso novo mundo do trabalho do Séc. XXI hoje em dia.

Na Ryanair trabalha-se à jorna como no Séc. XIX. Se são sorteados para trabalhar ganham, se não, recebem Zero. Mas para ir trabalhar é obrigatório estar disponível. Por esta disponibilidade para a empresa, 24h por dia, recebe-se 0 €. Além de estarem alijados das operações diárias e dos planos futuros da companhia os trabalhadores estão efetivamente à mercê da gestão quando se trata de colocações de base, reservas, férias etc. Um ordenado de Zero euros significa, na prática, ausência de descontos para a reforma, dificuldades para financiar uma casa, falta de autonomia para o planejamento familiar além de uma segurança precária em casos de doenças, acidentes etc. Fortuna multimilionária de uns e expropriação ao futuro dos outros.

Jackpot, não?, mas já só nos contos de fada com duendes verdes.

O diabo mora no detalhe. Este é o verdadeiro pote de ouro escondido por detrás do arco íris da velha lenda do “novo empreendedorismo”.

#RyanairMustChange

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