Backgalley (Bastidores)

Solidariedade da Bélgica

Membros da Centrale Nationale des Employés (CNE), desde Bruxelas, envidam solidariedade internacional aos aeronautas portugueses na Greve da Ryanair.

Fonte: Blogue de Raquel Varela: raquelcardeiravarela.wordpress.com

Um Governo abaixo do mínimo | Por Raquel Varela | Posted on August 20, 2019

E o impensável tornou-se realidade, serviços mínimos decretados para defender o indefensável. Esta greve da Ryanair acontece depois do Sindicato do Pessoal de Voo (que tinha rompido com a UGT) no ano passado ter saído vitorioso de uma greve onde apenas, reitero, apenas exigia que a Ryanair cumprisse a legislação laboral portuguesa, que não é digamos…a da Escandinávia. Por exemplo, os trabalhadores da Ryanair não têm direito a licença de paternidade, conheço alguns (estudamos desde há 1 as suas condições de vida num projecto) que meteram “baixa psicológica” para poder acompanhar os filhos à nascença. Passaram a ter estes direitos depois da greve do ano passado. Greve especial, em que houve solidariedade europeia, e solidariedade dos fixos da TAP para com eles (solidariedade material, e mais não digo). Este Sindicato é um exemplo de uma Europa unida e solidária contra o dumping.

Em resposta a Ryanair, que foi subsidiada durante 9 anos pelo Estado português em Faro – sim, pagámos a estes cavalheiros isenção de taxas – decidiu que não pode cumprir a legislação e anunciou o despedimento colectivo dos trabalhadores de Faro. Pode ser pior, por incrível que pareça? Pode. É que a Ryanair não anunciou só o despedimento colectivo, anunciou vai manter a operação trazendo trabalhadores do estrangeiro para fazer o trabalho dos despedidos de Faro.

O que fez António Costa? Decretou serviços mínimos aos grevistas. Caro cavalheiro de boa fortuna, CEO do barco negreiro, decretamos que os escravos do porão não podem sublevar-se porque os negócios não podem parar. É urgente circular a mão de obra escrava, que vem civilizar o mundo!
Vou poupar-vos por agora às condições que se vive no porão da Ryanair, onde a venda de raspadinhas é parte do salário e quem se porta mal é chamado à Irlanda aos recursos humanos, e paga a estado lá do seu bolso. A licença de paternidade é uma das, mas há muito pior. Por agora, ocorre-me apenas um curto comentário a este fatídico dia, ouvi-o de um trabalhador dirigente da Comissão de Trabalhadores da Groundforce do Porto, que carrega as nossas malas (e as nossas esperanças), José Luis Teixeira: “requisição civil precisa o Governo e os Governos. Nunca cumpriram com os serviços mínimos.” Um Governo corajoso usava a TAP para repor essas rotas, incluía os trabalhadores despedidos na sua frota e mandava a Ryanair ir traficar, perdão, voar, para outro planeta.

Fonte: https://raquelcardeiravarela.wordpress.com/2019/08/20/um-governo-abaixo-do-minimo/

Fonte: Facebook da Editora Espaço Aéreo, com texto enviado pelo Comissário de Bordo Flávio Santos

Autoria Anónima

SER TRIPULANTE É… | Aprendi a comer sozinho, a comer rápido, a comer o que houver. Aprendi a comer em pé, sentado, aprendi a engolir a comida, aprendi a comer sem beber, sem agradecer e sem escolher. Aprendi a andar no mundo, de um lado para o outro, na incrível azáfama a qual me condicionei. Aprendi a não ter casa, a não ter lugar, aprendi a morar na própria mala, a não ter uma hora certa para dormir, mas claro, impreterivelmente, ter sempre hora para acordar. Trabalhar de madrugada, trabalhar à noite, dormir de dia e quando dá, se não dá a gente cochila, rapidinho, e depois vai voar. 


Mudar de zonas, de lugares, mudar todo dia de cama, mudar de almofada, todo dia ter que agradar o passageiro, sorriso, aaahhh!, esse nunca pode faltar. Não importa como anda o coração, nosso serviço é agradar: Sete dias na semana e 24h por dia. A aviação não pára, ela é ágil, é eléctrica, enquanto uns descansam os outros não deixam o sonho parar. A saudade aperta e dói o nosso coração, por aqueles que ficam, lá em casa, e que esperam-nos voltar, é isso, viver dia a dia, a nossa jornada é uma grande ave feita de aço e nós gostamos, gostamos muito, muito mesmo. Realizamos sonhos, minimizamos a saudade e o medo de uns, confortamos a dor de outros, é difícil de explicar, mas hoje, só o que eu sei é voar, mesmo que um dia eu não esteja cruzando este imenso céu azul, no meu coração sempre restará um pensamento, um sentimento de missão cumprida.

Adaptado de: https://www.facebook.com/eaereo/photos/a.406767896039885/1037504729632862/?type=3

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